Teófilo, não sei como consegue, estando trancafiado neste mosteiro estar tão atualizado do que se passa aqui fora, no século. Não poderia desdeixar um pedido seu. Sabe bem que é para mim uma referência. Estou um pouco sem tempo, por ora, entretanto cumpri a sina. Sobre vosso pedido, ei-lo:

Sobre o Aborto

Há de se compreender que o objetivo da dialética é se chegar ao conhecimento da Verdade através do conflito de idéias que se contrapõe, se anulam, ou mesmo se fundem. Retórica aqui é nada além de desonestidade intelectual. Não se tem por objetivo convencer o outro, todavia conhecer a verdade do fato. Necessário recordar que para compreensão da dialética, parte-se de premissas que não serão expostas, pois subentende-se que o leitor já as conhece. É impossível tratar todos os aspectos de um tema, pois isso levaria discussão ao infinito e a inúmeros outros temas.

Motivos para defender o aborto:

  1. “Meu corpo, minhas regras” – A mulher é dona de seu corpo, tendo direito de abortar
  2. O aborto é uma questão de saúde pública. As mulheres com piores condições financeiras farão aborto em clínicas clandestinas, correndo sério risco de vida.
  3. O aborto diminui o sofrimento causado por uma gravidez indesejada na mãe.
  4. O aborto reduz o sofrimento do bebê, que ainda não tem consciência, logo não sofrerá.
  5. A vida começa na nidação e não na concepção, logo somente a partir da nidação se considera aborto.

Contrapontos aos argumentos iniciais.

1) A mulher é dona de seu corpo, como ser inteligente e dotado de alma, portadora da vontade enquanto potência. Todavia não é dona do feto que está em formação em seu útero, pois (1) precisou obrigatoriamente da participação do homem para a concepção, pois o contrário disso seria hermafroditismo inexistente ou ao menos incomum na espécie humana. Se há a participação e o esperma masculino, o corpo continua sendo da mulher, obviamente, mas não a vida que está dentro dela; (2) prova de que a vida que está no útero não pertence a referida mulher é que a grávida é naturalmente imunossuprimida. O corpo lança mão deste mecanismo, pois o corpo da grávida não reconhece como parte de si o feto em seu interior, pois é material proveniente do homem. Desse modo, se a grávida não fosse imunossuprimida, seu prórpio sistema imune atacaria o feto e o mataria, o que não ocorre. Alguns poderiam argumentar que o sistema imune ataca o próprio corpo, no caso das doenças auto-imunes. Esta argumentação jamais se sustentará, pois nesse caso, tem-se um quadro patológico, e gravidez é fisiologia. Deste modo, fica claro que nem mesmo o corpo da mulher entende o feto como parte de si, mas de um outro, que está ali apenas para cumprir a sua formação. (3) Como se trata de formação de um outro, não pode-se compreender o feto como pertencente unicamente à mulher, todavia um outro ser que, mantidas as condições fisiológicas será um outro ser humano, já dotado de alma e espírito infundidos por Deus. Desse modo, este feto tem óbvio direito à vida, não pertencendo o mesmo a essa mãe exclusivamente, pois este feto tem um pai, além de ele mesmo, ter dignidade em si próprio e óbvio direito a vida.

2) Mulheres de boas condições financeiras e mulheres de más condições socio-econômicas, pelos motivos acima não são donas dos fetos que contém. Desse modo, não tem direito ao aborto nenhum destes grupos sociais. Recorrer a liberação do aborto como medida de saúde pública para, em tese, proteger as mulheres de piores condições é, de certo modo, partir do princípio de que a mulher tem direito a abortar, o que não se sustenta. Desse modo, a atitude correta são medidas de combate às clínicas para mulheres ricas ou pobres e fornecimento de suporte, com políticas públicas que ofereçam suporte à gestante pobre para que possa gestar e cuidar de seu filho. Oferecer aborto às mulheres pobres é ser conivente com assassinato de um ser humano, ao invés de promover o cuidado aos dois.

3) A realização do aborto não diminui o sofrimento da mão, todavia o piora, pois apesar de todos as dificuldades próprias da maternidade, muito maior será o sofrimento psicológico e espiritual causados pelo aborto. Sem contar a possibilidade de consequências orgânicas graves com a  realização de aborto. Mulheres que abortaram, tendo uma formação moral mínima e/ou religiosa compreendem que se trata de um assassinato. Assassinato este de um(a) filho(a) seu (ua). Inúmeras são as mulheres com graves problemas psicológicos/psiquiátricos causados por este erro cometido, sendo este sofrimento sobremaneira maior que os advindos das necessidades naturais da vida. É verdade que prover as necessidades de uma criança nem sempre é fácil, pois a vida requer atenção, cuidado e doação daqueles incubidos por Deus de a gerenciar e cuidar. Todavia as marcas causadas na mãe pela realização de um aborto são incomensuráveis, sendo que esta mãe dificilmente se curará de tais feridas. Na maioria dos casos, infelizmente, morrerá sem ter se perdoado pelo assassinato cometido.

4) Há prazer no existir dos quais gozam até mesmo os demônios. Quando os anjos forma precipitados ao inferno foram colocados num grande mar de sofrimento, pois se enocntram perpetuamente longe de Deus.  Entretanto, Deus não retirou deles o prazer da existência, sendo este o maior benefício que se possa existir, pois só pode ser dado pelo próprio Deus, que do nada faz um ser único e inteligente. Deste modo, mesmo que nasça em condições adversas, a criança tem direito a este benefício dado por Deus que é a graça da existência. Defender ou promover o aborto é retirar dos bebês um benefício que o próprio Deus não negou nem mesmo aos demonônios. Quem compactua com o aborto diminui estes fetos a pior condição de dignidade de que se tem notícia em toda a criação.  Mesmo que nasça em condições adversas, o aborto apenas aumentará o sofrimento do bebê.

5) A discussão sobre onde começa a vida é multidisciplinar, havendo aspectos científicos, culturais, filosóficos, sociais, teológicos. Alguns cientistas advogam de que a vida começa na nidação, com a fraca argumentação de que antes disso muitas gravidezes não cocrrem, sendo o concepto eliminado. Sabe-se bem que a menor unidade de vida é a célula, que ocntém todo o material genético do bebê com seus respectivos 46 cromossomos e todas as organelas necessárias para funções como respiração, reprodução, eliminação de toxinas, duplicação do DNA, produção de RNA e proteínas… Deste modo, é inegavel que uma célula diploide é vida. Além do mais trat-se de 46 cromossomos, metade paternos e metade maternos, configurando-se como um ser único no mundo. Deste modo, a vida começa na fecunção e não no momento em que o concepto se fixa no útero. Logo, quaisquer técnicas contraceptivas que interrompam o  desenvolvimento do concepto são abortivas.

Discussão:

Uma gravidez não planejada em condições precárias financeiras, sociais e espirituais certamente configuram um grande desafio. Grande é a desigualdade social no mundo e inúmeros os sofrimentos e desafios aos quais este bebê estará submetido. Todavia a sociedade, ao invés de concentrar suas forças na legalização e facilitação do aborto, deveria utilizar suas energias no sentido de promover medidas de educação sexual, crescimento espiritual e moral, apresentando o auto controle dos impulsos sexuais como maneira segura e eficaz para se evitar as consequências de uma gravidez indesejada. A castidade e a abstinência sexual são, indubitavelmente, menos lesivos e prejudiciais que uma gravidez em condições precárias, entretanto, na sociedade moderna é impensável defender estas questões que tanto podem auxiliar no combate a doenças sexualmente transmissíveis, um grave problema de saúde pública. A humanidade demorou anos para evoluir na compreensão de que precisa cuidar da sua prole não cometendo aborto e o mundo hoje caminha na antemão desse processo. A vida sempre valerá a pena. A vida sempre trará esperança: juntamente com os abortos realizados no mundo certamente morreram a cura de doenças como o câncer, a aids, morreram grandes líderes políticos, grandes artistas. E mesmo quando falamos de um bebê que talvez não fosse um super dotado, uma vida é preciosa demais, pois somos imagem e semelhança de Deus. Cuidar da vida nunca será fácil. Todavia reflita, você que me lê. Se você está vivo é porque alguém sacrificou a própria vida. Alguém cuidou de você e é no mínimo razoável que você faça o mesmo com o próximo.