Alta auto criptografia - um capítulo inédito na odisséia egípcia e o drama da esfinge

Não sei se ajo por candura ou se a minha essência me conduz a isso. Na verdade não se trata de algo tão somente meu, todavia o modos operandi do ser o incita e excita nessa busca constante por afetos verdadeiros num mundo de tantas mentiras. Na verdade o próprio Deus quer ser amado por sua Divina essência em detrimento dos vultuosos favores que Ele é capaz de operar. Anseia-se o amor independentemente das suas utilidades óbvias. Toda boa alma quer despertar no outro algo verdadeiramente bom, a partir dos espórios cósmicos e espirituais que nos compõe e nos coordenam. Todo mundo quer ser amado a partir de essência, de seu âmago, do seu tutano mais íntimo, indizível. Ora, para tanto, me desvelo aos poucos utilizando do meu canto semi-lirico, despindo indecorosamente a minha alma tão vestida e lúdica, me fazendo mostrar para aqueles poucos que identificam ter tempo de me ler. Sou composto da mais alta criptografia humana. Dou respostas imprecisas quando quero ser desvendado, nego aquilo que mais desejo com o intuito de ser contrariado, provoco quando quero pra mim o seu olhar e o seu ouvir. Elogio eloquentemente quando quero te restituir dessa ferida que a vida causou. Sumo quando quero ser procurado e me faço único e exclusivo quando vejo que precisam do meu ombro. Alguns poucos me ganham de cara, outros confesso que demora um tempo. Mas de pouco e sempre vou revelando meus mistérios mais profundos, vou me fazendo legível, vou me traduzindo para aqueles raros que se demonstram enfim dignos do meu afeto. Sou construído em códigos, em enigmas e em signos. Construí de propósito um castelo sombrio para conhecer a coragem e firmeza dos vassalos amigos que querem verdadeiramente e gratuitamente a minha suserania. Permaneço sentado no meu trono real, me fingindo indiferente, quando aguardo ansioso que se acheguem ao castelo e resolvam com determinação e firmeza lerem os meus ensaios mais dificultosos. Bem, poderiam dizer que sou um retrato medonho, dotado de auto estima exacerbada ou mesmo um ego hiperinflado. Não se trata disso. Na verdade não sou da realeza, Não frequento palácios e sou Patrício com ascendência plebéia. Apenas tenho o cuidado de guardar com afinco o tesouro mais precioso Que suponho deter. Não há nada de mais valor que o sucesso da relação com Deus e por conseqüência com os irmãos. Logo, a amizade sim é que merece uma coroa. Ela que detém toda estima, todo zelo, todo cuidado. Sendo assim, faço questão de bem selecionar os desventurados, que dispensam tempo e vontade de ler os meus enigmas. Concordo que sou composto por signos aparentemente ilegíveis, entretanto o que acontece de fato é que falta gente pra querer ler o abismo inimaginável que me compõe. E isto não goza latifúndio de exclusividade. Porteiras abertas, o mundo é um moinho de vento que repete os ciclos num imenso marasmo de nada. Não há nada de novo debaixo do céu. Sigo assim, charada, interrogação, estimulando a imaginação dos passageiros e quebrando a paciência dos visitantes. Sou composto da mais alta auto criptografia. E se insistes em me ler e topas as consequências catastróficas de suas más decisões, gosto do jogo, me trapaceio e me revelo ao fim de sua insistência. Ora, carrego no trapézio obeliscos egípcios, hieroglifados em aramaico, hebraico e grego, sagrados na carne do deus-sol (único), nessa trama universal de muitos deuses. Unjo o obelisco com unguentos suaves cercando-o com lindos colares de contas. Benzo-o com águas preciosas filtrados em corações consagrados. Na pirâmide do cume elevo valiosas relíquias em ossos, cabelos ou dentes dos verdadeiros vencedores deste mundo (no outro). Ergo uma cruz no cume dos cumes erigindo a Verdade pregada na madeira. Meu monumento monoteísta perfura as nuvens, dispersando o mal e as copiosas tempestados que insistem em se formar contra aqueles que amo. Quer saber quem eu amo? Procure saber para quem eu rezo. Sigo Faraônico, Quefren sem irmão. Édipo, ao me ver, compreendeu-se ausente de sua própria existência e suicidou antes de matar o pai. Perdeu o encanto incestuoso pela mãe. Morto ele é mais equilibrado que vivo. O Leão alado segue faminto, voraz, procurando a quem devorar. Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?

Há de se dizer que tenho dentro de mim os 3 discípulos presentes naquela sexta-feira

Muitas vezes sou traidor de Jesus, outras vezes o nego e existem situações que sim, vou até a cruz com Ele, não O abandonando. Eu sou Judas, sou Pedro e sou João. Cabe a mim, nessas muitas facetas que tenho, jamais desistir do combate espiritual, porque em verdade vos digo, o homem que desiste da luta interior traz para fora de si o conflito que deveria ser resolvido pela parte de dentro, prejudicando a si, ao Próximo e ao mundo pelas suas mazelas interiores. Quando Jesus diz a Judas “com um beijo me trais” não houve ironia na fala do Senhor. Ao contrário, Ele quis dizer: você me beija, pois na verdade, você não quer me trair. Oh Senhor, quanta misericórdia há em Vós!Quem sou eu para incinerar Judas ou me envergonhar da atitude de Pedro me finjindo de João, quando eu também traio e nego Aquele que só merece o meu amor. É preciso que eu lute diariamente para fixar os olhos no essencial: subir o calvário com Jesus, sem jamais abandoná-Lo, consolá-Lo quando possível e saber subir na Cruz humildemente quando for chegada a minha hora. Cabe que eu aprenda com a Mãe de Deus a suportar de pé as dores Daquele que mais amo, mesmo que eu não O ame como Ele merece. Sou-Lhe eterno devedor… Convém, meus caros e poucos leitores, que eu batalhe até o fim, para vencer diariamente o meu mal interior, trazendo à tona o João que Jesus merece que eu seja, encorajando o meu Pedro e dissuadindo o meu catastrófico Judas, mostrando-lhe que a misericórdia de Deus não quer o seu suicídio, mas a sua conversão. Refaço então o meu propósito de lutar até o fim, jamais saindo do lado do esposo, suportando pacientemente as aflições e agonias de submeter-me à Sua Divina Vontade. Sigo lutando. Até o fim! Até a cruz. Até as últimas consequências. Aguardando ansiosamente a ressurreição e a vida que Ele tem para mim guardados. Nessa minha trilogia apostólica eu vou combatendo, insistindo e caminhando, tentando sempre trazer à tona a melhor versão de mim.
Feliz Páscoa.

Foi inesquecível

Sendo assim minhas ruminações interiores foram a mil. Cheguei em casa com dificuldade de dormir por aquilo que vi. Já gostava da banda, é claro, mas o @adamlevine quando entra num palco mais parece um menino com o brinquedo preferido. Uma voz estúpida que alcança notas que ninguém nem sonha. Um falsete verdadeiro inigualável. A presença de palco de um maestro, a energia de um adolescente, o posicionamento e a movimentação invejáveis, caminha dança e pula como alguém que flutua no espaço.
Eu vi alguém extremamente incomum: quarentão, magrelo e rabiscado. Velho de experiência, fino no talento e rabiscado de carisma. Um homem capaz de arrastar 30.000 pessoas para o ouvi-lo juntamente com sua banda. E o que há de comum entre ele e essas 30 mil pessoas é que todos são incomuns. Há algo de especial e de sublime em todos nós e é impossível ver alguém com tanto talento e imediatamente não pensar em quem criou. Há algo de extraordinário em cada ser humano, há algo de sublime. Pena que vestidos de conceitos e preconceitos tenhamos tanta dificuldade de perceber a grandeza que Deus mesmo pôs em cada um. Perceber que todo ser humano sempre será mais miolo que casca apesar de qualquer aparência externa que por ventura não te apeteça, caro observador. Eu quero muito de Deus essa capacidade e alegria de amar o ser humano muito além de meus gostos e desgostos, feições e ojerizas. Quero abraçar ao peito humanidades como o Cristo fez, que via o coração e não a imagem. Bem sei que me falta tanto, sabe, mas a indústria certa disso tudo é não desanimar. E assim a gente vai traçando o contorno da vida e buscando ser de Deus a cada dia. Quero ser dia após o outro o mais humano e o mais divino que eu puder… desconfio sempre de gente que não gosta de gente. Tem aí alguma coisa muito errada, que precisa de cura e de conversão, pois Deus se fez humano também pra gente se amar mais e amar o próximo tanto quanto a nós mesmos. E sabe, não se sinta pequeno não. Você é grande, tem uma alma imortal que terá vida mais longa que a história de toda humanidade aqui na terra. É certo que alguém te ama, apesar de seus despropósitos. Alguém um dia se aproximou de você e te amou, sem pedir nada em troca, sem maldade, sem interesse. Só queria ver o seu bem, só queria te ver feliz. Você que me lê é o motivo da felicidade de alguém. Por pior que você se enxergue, alguém te admira, alguém se espelha em você e é necessário que você não desista da vida e nem do ser humano, porque outros se apoiam em você pra prosseguir. Deus quis assim, meus amigos, que a gente se apoiasse, se amasse. Que a gente se desse suporte a cada, pra que a gente consiga se ver e principalmente vê-Lo através do outro. Não desista não, siga firme. Deus não errou em te fazer, em te sonhar em te querer aqui nessa Terra. E se sua visão não te permite perceber isso, levanta, lava o rosto e tira essa remela que te atrapalha de ver o grande Adam que você é, o grande artista que você ainda não se enxergou. Você é o motivo da felicidade de alguém. Segue firme.

Sobre a busca pela santidade, muito se é dito, filosofado, pregado e descrito

Algumas bases são certamente imprescindíveis, mas verdade seja dita, não adianta se buscar tal sonho em pacotes fechados, em embrulhos herméticos. A busca p Deus exige não uma moldura fixa, mas grande maleabilidade na luta por se deixar moldar nas mãos do oleiro.
São tantos santos (mais de 30 mil conhecidos) e sempre tão semelhantes, mas sempre tão diferentes.
Uns mais calados, outros falantes, uns dotados de virtudes heróicas e outros bem mais simples.
No meio de tantos homens e mulheres grandiosos de vidas tão peculiares, haverá sempre uma angústia naqueles que verdadeiramente buscam a Cristo. Ver nossa incapacidade, pequenez e inconstância comparados a esses abismos de virtudes. Que barra!
Na verdade não há teologia capaz de explicar do que se trata ser santo.
Não há cartilha que se siga que te dê certeza do resultado, pq não é possível se definir o que só se pode conhecer por experiência.
Vem cá. Se eu te pedir q me descreva o gosto do morango vc certamente será incapaz de dize-lo. Poderá argumentar sobre o azedo e o doce, a sensação que tem, mas será inútil. É só experimentando… em relação a santidade é o mesmo, sabe. Só se pode chegar lá quem experimenta Cristo de Verdade e passou muito além das teologias. É provando a santidade Dele que se torna santo. É experiência profunda de quem luta diariamente e sabe encontrar nos dissabores da Vida os sinais de sagrado. A santidade vai muito além das capacidades humanas. Vai da graça de Cristo quando encontra uma alma que queira lutar de verdade. Ser santo é um estica e puxa, corta e emenda, espera e agita, acelera e freia que parece n ter fim.
Não se desespere ao ver sua pequenez, tampouco pense que pode comprar um molde para nele se alinhar. Deixe que o próprio Deus te molde de acordo com Sua Vontade. Ele sabe o que faz. A gente que não sabe o que fala. Ele só pede que a gente não atrapalhe, né.
Vendo tanto santo por aí não se desespere não. Tem alguém aqui bem pior que vc…
Mas tenho a cabeça bem dura, sabe. Eu insisto no que acredito. E não vou parar de lutar não.
E aí, vc vem comigo?
Vamos lutar?
Eu acredito!

Porta Santa

A despeito do cataclisma de emoções trazido pelas torrenciais águas do fim do ano, percebo que morri afogado pela sede que causei em tantos corações e principalmente em mim mesmo.

Numa tentativa desesperada de tentar plasmar um elixir que me libertasse de uma tal solidão, fui ao fundo do poço, desci a níveis que jamais imaginei chegar, diferente do Davi de Michelangelo ao qual quis imitar. Figura bela, beirando a perfeição, todavia taciturno, frio e indiferente. Mas fui ao limite, cheguei ao fim de mim mesmo, senti as dores atrozes da falência evidente de minha humanidade. Assisti atento aos problemas da existência, mesmo que separado por reforçada vidraça. Vim o fim de tudo e do meu Projeto pessoal de ser. Cheguei ao pó, ao lodo, às fronteiras que separam os limites humanos. Mas Cristo caminha comigo: me desintegrei por inteiro, virei resto, sobras, excremento, porém transcendi. Quando as forças haviam acabado, fui pleitear com meu Senhor seu patrocínio inigualável e então aconteceu. Me elevei acima de mim mesmo, deixei de ser só humano quebrando limites pré estabelecidos. Fui além do natural e bem além da gramática: me tornei fenômeno da natureza. Eu “chuvi” poesia onde sofri, produzi jardins com flores de fragrância que ninguém sentiu, com rosas de cores que ninguém sonhou. Permaneço então chovendo na minha aridez com fé, amor e esperança, na certeza de que apesar de não compreender o que se passa, eu nunca estive sozinho.

A exemplo da grande Virgínia Woof no seu insuportável e brilhante influxo de pensamentos e escrita, ou como Pessoa a escrever de pé

É que a ansiedade por expressão me consome o peito e a graça, e me porto assim, inconsequente do que escrevo como vulcão sem culpa que se esparrama e devora tudo que vê. Ora opto por estética, ora por conteúdo, pois no primeiro caso eu preciso desse fisiológico vômito, no segundo preciso me expressar. Os pensamentos me embaralham, me emparedam, me obrigam a existir. Quase nunca encontro alguém que pareça escutar. Grito p. pessoas que não existem, procuro pessoas que ainda não nasceram, ouço vozes de amigos que não tive, ou que não sei se tenho. Escuto gritos ou simplesmente quis escuta-los. A necessidade produz vozes que ecoam em mim. Faço monólogos sobre minha vida, ouço conselhos que nunca ouvi. Me liberto ao menos por hora. Me coloco dentro de mim, como Rei absolutista q se fecha em seu castelo interior. Demito, por hora, todos os funcionários e passageiros da parte de dentro. Reorganizo meus móveis da alma, limpo, faxino, inauguro obras que nunca acabam. Vez por outra venho a superfície para respirar um pouco, mas continuo afogado: 24h por dia pelo lado de dentro, faço uma hora extra pelo lado de fora. Estou cada dia mais mergulhado no meu mar e cada dia menos dos outros, cada dia menos desse mundo. Meus projetos de guerra não parecem funcionar. Não na rapidez que desejaria. Quero resolver o meu mundo num estante, abrir o mar vermelho no tapa, inaugurar aquilo que não vivi e sonho minuciosamente com cada detalhe da restituição que sonho. Deus parece se abster um pouco para me aumentar a fé. Sabe bem como isso pra mim é delicado. Vejo pouco, sinto pouco e Ele fala bem pouco nesse aspecto, pra cultivar assim a fé que eu deveria ter. Mas não desisto. Não desisti. Mergulho a profundeza de oceanos que ninguém visitou, vivo realidades que ninguém jamais viveu, que ninguém escreveu, que ninguém sentiu. Intuo, raciocino e concluo. Há algo inédito em mim que não será publicado. Há algo novo, nunca vivido ou sonhado. Mas perdão: é tudo confidencial. Deus me preparou exclusividades…

O menino da Virgem

Pela tempestade que se passou nesse fim de primavera, o tempo que catapultou ao passado de maneira quase que obrigatória. E entre os dois pontos que aqui se faziam só me emendei por agora em precioso nó.
Sempre fui devoto e apaixonado pelo menino Jesus. Na verdade eu sempre quis Ele pra mim, só pra mim. Pedi a Santo Antônio que brincava com Ele, mas foi inútil. Tentei fazer como Santa Giulia, brigando para que me entregassem o menino, mas ninguém me ouviu. Prossegui na minha luta, mesmo que sem aparente resposta. Pensei na Mãe e no pai aditivo como.minha solução: inútil. Nossa Senhora e São José, pouca confiança me deram, apesar de sempre Ou quase sempre se apresentarem de Jesus no colo. Um desespero me tomou: ninguém quer dividir o menino comigo. Cocei a cabeça, conversei com o enfante, mas também sem resposta.
Entrei num tempo difícil pagando duras penas por pecados que não cometi. Voltei ao meu escabroso passado, voltei a questões tão dessarranjadas em mim. Visitei meus esgotos, meus quartos escuros e empoeirados. Sob o comando invisível da criança que tanto amo fui deixando-me lavar a ferida. Oh dor, quanta dor em ter tocado aquilo que em nós é mais frágil. Passaram copiosa medicina, mataram a ferida e deram por certo a cura. Cego de tanta dor eu me encontrava, anestesiado de tanto sofrimento que um tapa na cara só tinha a propósito de me virar o rosto para ver o que eu não dava atenção. Fui além de mim, confessei a Ele na cruz que eu por mim já não podia mais. Minhas lógicas foram invertidas, meus conceitos caíram de caducos. Prossegui.
As custas de reflexão, terapia e análise foi então que percebi que na verdade, eu continuo sendo o mesmo menino de sempre. Aquele que chorava muito, falava muito, sentia muito. Continuo bem pequeno, continuo uma criança. Rápido com o intelecto, lento com uma bola nos pés. Capaz de aprender com grande facilidade, mas sem nenhuma coordenação motora. E eis que então Eu fui entendo. Meus amigos não me deram o menino como pedi, porque o menino nunca saiu de dentro de mim. Ele sempre esteve aqui. Poderão argumentar que dizer é arrogância, mas é o contrário. Lembra que Ele nasceu em uma Em uma gruta suja, fedida e sem nenhuma estrutura, assim como esse receptáculo aqui que o recebeu! Não tenho nada, não tive e nunca terei. Mas quero permanecer assim bem pobre de mim, porque assim que Ele me quer, assim que Ele quis em mim nascer. A diferença de mim para tantos outros é apenas que eu disse meu sim. E aí eu me encontrei com o menino que Ele é E com o menino que eu sou! Aí é tudo entre esses dois meninos uma pura alegria. Ele desceu do céu porque era meu demais pra ficar tão distante. Ele brinca com meus sonhos, ri da minha cara, ele zomba de mim e a gente ri numa alegria sem fim. O menino sempre esteve aqui, sempre! Não havia como me darem aquilo que eu já tinha. Me encontrei com a minha humanidade que eu havia perdido. Me encontrei com o homem afetuoso que sempre fui mas que me obriguei a não ser. Nunca fui tão humano, tão doce, tão pequeno, tão sensível e tão menino. Se tem medo de mim (Eu sei que alguns tem por não me conhecer), quero advertir que não é necessário, pois no fundo no fundo, eu não passo de uma criança. Não sou poeta, porque este é um fingidor. Eu escrevo o que sinto, o que vejo o que penso. E como foi bondade de Deus, nesse tempo eu me encontrar com esse menino que sou, que sempre fui, mas que estava esquecido e empoeirado dentro de mim. Eu e Ele, a gente se ama, se abraça se adora. Somos tão simples um para o outro e tenho o desafio de seguir vivendo este Natal a cada dia, deixando que Ele nasça dentro de mim. Me encontrei com minha humanidade de novo, me encontrei comigo mesmo, me encontrei com o menino que sou, tudo isso pq na verdade, me encontrei com o menino Jesus. Quis muito ganhar um menino Jesus ou Jesus menino, mas ninguém me deu. Quis comprar mas nunca achei. Uma grande amiga me deu esse da foto nesse Natal. Me deu porqur chegou o tempo, porque antes de ter a imagem eu o tive dentro de mim. Feliz Natal a todos! Viva Jesus!

Mesmo que seja natal, Deus me pintou de roxo, preparando-me para sua vinda

O verbo que se fez carne da nossa carne, o Deus que se fez Homem e habitou entre nós. Sou tomado então de grandiosa ansiedade, quase desespero, aguardando a Sua vinda. Rou as unhas, suspiro fundo. A sudorese me acompanha. Três homens mais importantes que eu e bem ricos chegam também para adorar. Não presto tanta atenção, pois apesar da muita pompa e circunstância, meu interesse é Naquele que repousará na pobre manjedoura. Me pego teologando sobre esse parto tão humano e Divino, na moça que concebe tendo amado só a Deus e a nenhum homem. Penso na pobreza de rei tão sublime. Mas irrompe meus ouvidos espirituais aquele marcante momento. Já posso ouvir então os gritos deste parto sem dor. Me achego a Manjedoura como se o Pai fosse eu. A ansiedade me alucina, mas respiro fundo tentando controlar esse rio de emoções, pois dentro de mim uma coisa me consterna e acalma: Ele vem! Pouco me interessa o Natal do Porta dos fundos. Meu Natal é assim, cheio dessa alegria tão sublime que ateu nenhum jamais terá.

Uma experiência Mosaica (ao revés)

Era um dia de chuvoso, de céu bem enegrecido, quando ouvi estrondoso trovão. O barulho foi ensurdecedor! Dentro de mim fui comunicado: Deus está bravo e quer ter com você. Suspirei profundamente, pois msm com as muitas mentiras que eu me contava , no fundo eu bem sabia do que se tratava. Subi o monte Sinai debaixo de forte chuva. Quando cheguei ao cume do monte Ele estava lá. Veio de roupagem diferente da última vez. Agora era um homem de idade de grande cabelo e barba, ambos incrivelmente prateados e belos. A feição profundamente bela, dentro de uma veste branca acinturada de azul. A face era severa. Não quis me encarar a princípio. Disse-me o Bom Deus, olhando p o chão: – Eu quero as tábuas!
Confirmou-se me a suspeita. Uma angústia tomou conta de mim.
– Mas Senhor, foi o Senhor mesmo que me as deu. – Isso não é um pedido, Vinícius. -Mas não as apliquei a ninguém. -Mas as aplicou a si mesmo.
– Foi muito difícil essa confecção. Eu preciso delas.
– Não, você só precisa de mim.
Eu as trazia junto ao peito e permanecia abraçado a elas, qnd, como um raio, Ele se achegou e deitou-as ao chão. Tornaram-se mil pedaços! Liberei um sonoro grito, q o povo que me esperava lá embaixo certamente ouviu. Fiquei como criança quando lhe tiram a mãe de maneira repentina. Me desmanchei num copioso choro, enquanto Ele se afastou d mim. Catava cd caco tentando ver se eu conseguiria compreender ou remonta-las, mas era inútil. Olhei para Ele que estava de costas para mim e perguntei como eu faria para me manter seguro frente ao mundo lá embaixo.
– Eu não quero q se sinta seguro em si, eu quero que mergulhe profundamente na minha misericórdia sem apego aos próprios conceitos que eu te dei ou aqueles que você, por si mesmo acabou construindo.
Eu não poderia sofrer mais. Entretanto, Ele veio até mim, pegou meu rosto com as duas mãos e me fez olhar fixamente em seus lindos olhos. A sua feição já não era mais severa, mas desmanchou-se num largo sorriso de amor, que me fez evaporar as lágrimas que me molhavam o rosto. Fui tomado de uma paz profunda e verdadeira, de grande leveza, pois aquelas tábuas me pesavam muito o caminho e me acorrentavam ao extremo. Suspirei aliviado e fervia ali mesmo em grande paixão e amor por Deus. Fui tomado de grande confiança e certeza de que Ele estaria comigo. Os seus olhos me fizeram esquecer as tábuas. Ele se afastou de mim, o céu se abriu, Ele me lançou mais um largo sorriso e enfim desapareceu. Recomecei o caminho de volta, agora mais leve e mais feliz que dantes, cheio de amor e de confiança e louvando a Deus por sua grandiosa pedagogia. Lamento muito tantos não entenderem a ira Divina e tantos que referem ela não existir. Mas só me chama a atenção e ralha comigo quem me ama de verdade. A face severa é sempre justificada pelo sorriso bovino que Ele me lança logo após se irritar. Esse sorriso justifica tudo e eu quebraria mil tábuas, subiria mil montes, só pra ver Deus olhar pra mim com tanto amor e carinho. Depois de Moisés, vamos a Joel e os gafanhotos.

November rain

Mas ainda é novembro e continua chovendo. Acontece que eu resolvi remexer nos meus retratos antigos, já que tô aqui prus lado das Minas Gerais. Fui procurar os álbuns daqui do meu canto, todavia não os encontrei onde era de costume. Acabaram com o Rack daqui de casa, entretanto deixaram jogados os vários álbuns na parte de cima do meu guarda-roupa. Foi impossível não pesar em mim tal acontecimento, pois a gente tem bem essa mania de guardar muito mal o nosso passado, sem saber das graves consequências que esse desleixado ato nos encomenda.
Ontem vi 2 meninos-ciganos chupando um picolé de menta e chocolate. Que grande alegria demonstravam suas feições nesse ato tão comum. Mas foi um acontecimento, foi um marco, um fenômeno, uma epifania. Eles com grande alegria se entreolhavam e brincavam e se lambuzavam que era impossível não perceber que havia ali muito mais que açúcar e gordura hidrogenada. Lembrei-me imediatamente do poeta da tabacaria ao dizer “come chocolates pequena suja, come chocolates, …, olha que todas as religiões do mundo não ensinam mais senão a confeitaria.” Segui a minha sina de visitações das casas dos familiares. Mas hoje cedo, ao rever o álbum, me deparei com essa foto do meu aniversário de 4 anos. Dia duplamente feliz, pois em 04.07.1994 o Brasil foi tetracampeão da Copa nos Estados Unidos e eu completava meus 4 anos.
Do alpendre existencial da minha casa, me coloco assim observador das tintas e tons, das composições interiores e vulcânicas que plasmaram este mundo. É de se estarrecer para observador tão imparcial, que no fundo a análise sou eu mesmo, passional, enviesada, retirando de mim toda maquiagem cientificista com a qual me pinto, com a qual me engano. Sou de carne, de osso, de sangue, de explosão e de desespero. Sou de alma, de espírito, de fleuma, de regra, de lei, de doutrina e de mordaça. Perdoai-me se assim não me veem ou se assim não se me apresento, contudo se até o Cristo foi pintado em duas faces no Pantocrator, porque deveria eu me esconder de minha pluralidade: sou 2. Um severo, correto, objetivo, resolutivo, racional, médico, educador, formador de opinião, frio. Sou um outro, misericordioso, subjetivo, ensimesmado, passional, piedoso, emotivo, doce, poeta, de olhos constantemente marejados e de olhar fortemente reflexivo. Oscilo entre meus dois eus que são um só, como a casca e o miolo são composição do mesmo fruto.
Como um relógio de pêndulo que no seu misterioso tempo oscila entre os lados opostos das minhas duas faces, ao livre fragor do juiz passarinado que com seu saudoso cumprimento francês, decide arbitrariamente a minha pendular mudança: coucou, coucou, coucou! É tempo de mudar! Ouço dentro de mim que enfim chegou a hora de trocar a face, não por minha vontade, mas por decisão desse enigmático juiz. Sigo a sina das minhas oscilações, dessa minha consistente fluidez, cujo ser escorre entre os dedos das minhas mãos e essa vontade inútil que tenho de controlar os meus opostos é guerra perdida.
Sempre na minha discrição e cuidado, de joelhos no chão madrugadas a dentro, de corpo prostrado, vou pintado a vida com as cores que me ofertaram, mesmo que tudo muitas vezes me pareça preto e branco.
Mas não, não se enganem. Mesmo que a catarata do cotidiano enuveça nossa vista, a vida não é branca, preta ou cinza. A vida pra mim é bem vermelha, da cor do sangue de Cristo.São minhas lembranças.
Todo meu amor,
04 de julho de 1994.

Não, não é dia das crianças, eu bem sei

Do alpendre existencial da minha casa, me coloco assim observador das tintas e tons, das composições interiores e vulcânicas que plasmaram este mundo. É de se estarrecer para observador tão imparcial, que no fundo a análise sou eu mesmo, passional, enviesada, retirando de mim toda maquiagem cientificista com a qual me pinto, com a qual me engano. Sou de carne, de osso, de sangue, de explosão e de desespero. Sou de alma, de espírito, de fleuma, de regra, de lei, de doutrina e de mordaça. Perdoai-me se assim não me veem ou se assim não se me apresento, contudo se até o Cristo foi pintado em duas faces no Pantocrator, porque deveria eu me esconder de minha pluralidade: sou 2. Um severo, correto, objetivo, resolutivo, racional, médico, educador, formador de opinião, frio. Sou um outro, misericordioso, subjetivo, ensimesmado, passional, piedoso, emotivo, doce, poeta, de olhos constantemente marejados e de olhar fortemente reflexivo. Oscilo entre meus dois eus que são um só, como a casca e o miolo são composição do mesmo fruto.
Do alpendre existencial da minha casa, me coloco assim observador das tintas e tons, das composições interiores e vulcânicas que plasmaram este mundo. É de se estarrecer para observador tão imparcial que no fundo a análise sou eu mesmo. Passional, enviesada, retirando de mim toda maquiagem cientificista com a qual me pinto, com a qual me engano.
Sou de carne, de osso, de sangue, de explosão e de desespero. Sou de alma, de espírito, de fleuma, de regra, de lei, de doutrina e de mordaça. Perdoai-me se assim não me veem ou se assim não me apresento. Contudo se até o Cristo foi pintado em duas faces no Pantocrator, por que deveria eu me esconder de minha pluralidade?
Sou dois. Um severo, correto, objetivo, resolutivo, racional, médico, educador, formador de opinião, frio. Sou um outro, misericordioso, subjetivo, ensimesmado, passional, piedoso, emotivo, doce, poeta, de olhos constantemente marejados e de olhar fortemente reflexivo. Oscilo entre meus dois eus que são um só, como a casca e o miolo são composição do mesmo fruto.
Um relógio de pêndulo, no seu misterioso tempo, oscila entre os lados opostos das minhas duas faces, ao livre fragor do juiz-passarinho que com seu saudoso cumprimento francês decide arbitrariamente a minha pendular mudança: coucou, coucou, coucou! É tempo de mudar! Ouço dentro de mim que enfim chegou a hora de trocar a face, não por minha vontade, mas por decisão desse enigmático juiz.
Sigo a sina das minhas oscilações, dessa minha consistente fluidez, cujo ser escorre entre os dedos das minhas mãos e essa vontade inútil que tenho de controlar os meus opostos é guerra perdida.
Sempre na minha discrição e cuidado, de joelhos no chão madrugadas a dentro, de corpo prostrado, vou pintando a vida com as cores que me ofertaram, mesmo que tudo muitas vezes me pareça preto e branco. Mas não, não se enganem. Mesmo que a catarata do cotidiano enturveça nossa vista, a vida não é branca, preta ou cinza. A vida pra mim é bem vermelha, da cor do sangue de Cristo.Sempre na minha discrição e cuidado, de joelhos no chão madrugadas a dentro, de corpo prostrado, vou pintado a vida com as cores que me ofertaram, mesmo que tudo muitas vezes me pareça preto e branco.
Mas não, não se enganem. Mesmo que a catarata do cotidiano enuveça nossa vista, a vida não é branca, preta ou cinza. A vida pra mim é bem vermelha, da cor do sangue de Cristo.

Hipermetropia espiritual: pra quem é incapaz de ver quem está perto

Quem não se sente amado,
Não se faça, por favor, derrotado,
Pois o Amor te amou e te fez amado
Abriu o próprio peito, depois de encarnado
Apontou com o dedo o caminho a ser traçado
E te chamou para ama-Lo
Depois de ter-te amado.

E eu sigo assim

(Antropofágico)
Por não conseguir em mim
Pretexto pra continuar a existir
Mas eu sei que logo ali
Encontrei um elixir
Capaz de me curar.

Já são três dias oscilando entre cama, sofá e rede. Três dias velejando entre livros e séries e rezas

Meu Deus, sem trabalhar há 3 dias: que dor! Minha casa tem mais remédio que comida. Cof, cof, cof. Não adianta, ela voltou. Depois de tanto tempo, mas ela voltou. Mais bacteriana do que nunca. Mais indelicada, ditadora e dominante do que jamais se me apresentou. É ela mesma. Não pode ser outra. E então se inicia o meu drama: Não acredito em remédios (Putz, já perdi o efeito placebo). Não posso crer em remédios. Eles também matam, falham, podem estar fora do espectro… Intuo que exista algo acima de remédios. Não acredito também em sucos de laranja. Nunca acreditei. Tudo bem que existam teorias que a vitamina C tenha influência na produção de anticorpos, mas não consigo acreditar em sucos de laranja. Ontem me deram laranjas e me disseram que é bom pra esse mal. Mas sigo sem acreditar. É apenas suco: um sumo de laranjas imprensadas. Deve existir algo maior do que suco de laranjas. Mas quando relembro que me deram as laranjas e quem me deu a fruta também reza por mim e me deseja o bem, intuo algo bem maior. Não cosmológico como quitandas, mas transcendente como Jesus, que é dono de pomar. Intuo, penso, reflito: passo a acreditar em laranjas. Não nas laranjas, mas nas pessoas. Não nas pessoas, mas na Pessoa. Jesus é gente, que acredita na gente. Tomo por obrigação acreditar nas pessoas, por acreditar na Pessoa. É claro que existe grande perigo nisso de acreditar em gente e muitos tem medo de tomar partido. Eu, por vezes, já visitei essas muitas faces de niilismo. Mas desisti sem nem começar. Tenho interior pra isso não! Retomo a sanidade (creio), e prossigo sem acreditar em remédios, mas passo a acreditar em sucos de laranja e de limão e de acerola, porque acredito em reza e na gente que reza e principalmente na Pessoa que escuta a prece, porque vejo, para meu deslumbre, que Ele veio me visitar e quer me curar sob o pretexto de refrescos gelados e caseiros. Desculpem pelo grande texto, mas não me preocupo tanto: as pessoas não costumam ler textos maiores que 4 linhas. P.S.: vai um suco aí?